Para Meditar

"Escreva as preocupações de hoje na areia. Grave as vitórias de ontem na pedra".

28/12/2010

O Pastor do Salmo

Conta-se que um poeta foi convidado para, ao final de uma solenidade, recitar o Salmo 23. No alto da sua capacidade de impostar a voz, de controlar a respiração e de usar todos os recursos que podiam dar beleza à execução, ele termina a sua apresentação em grande estilo e arranca da platéia aplausos calorosos, enquanto é ovacionado demoradamente.
Ali, na primeira fila, assistia a tudo um velhinho, já de cabelos embranquecidos, que logo em seguida, solicita ao coordenador do evento para também recitar o Salmo 23. Ele tenta demover o ancião de tão inoportuno pedido. Argumenta, mas ele insiste, e talvez pelo respeito à idade, acaba por conceder.
Aquele senhor sobe na plataforma com o rosto marcado pelo tempo, cheio de rugas e de histórias acumuladas em quase um século de existência, e começa a recitar o mesmo Salmo 23. À medida em que ele recitava pausadamente o Salmo, um profundo silêncio se derramou sobre o auditório, e que foi se convertendo em comoção e soluços, de modo que ao terminar a última frase do Salmo, ninguém aplaudiu, mas todos, estavam ali com lágrimas nos olhos, depois que um profundo espírito de quebrantamento caiu sobre aquele lugar.
Aquele jovem poeta agora corre para a plataforma, lança-se aos pés daquele desconhecido ancião, e chorando, pergunta: “O que é que você tem que eu não tenho? Eu estudei nas melhores escolas e aprendi a recitar. Eu consigo arrancar aplausos das pessoas, mas você tocou a alma delas, o que você tem, que eu não tenho?”.
O velhinho olha para ele com um olhar terno e diz: “A diferença, meu filho, é que você conhece o “Salmo do Pastor”, mas eu, conheço o “Pastor do Salmo””. A unção está na intimidade. Foi na intimidade com o Pastor das nossas almas que Davi escreveu este Salmo. Todos nós somos chamados para conhecer o “Pastor do Salmo” e não somente o “Salmo do Pastor”.

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